Pigmalião

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Sobre

“O Pigmalião Escultura Que Mexe é um coletivo de artistas que encontrou no teatro de bonecos o veículo ideal para desenvolver trabalhos no limite entre as Artes Cênicas e as Artes Plásticas. Criado em 2007, o grupo sempre procurou desenvolver espetáculos com profundidade conceitual e filosófica. A marionete de fios, a relação do ator com o boneco e o Teatro Visual são seus principais focos. Na construção contínua de sua identidade, o Pigmalião busca o reconhecimento do teatro de bonecos na produção artística contemporânea.”

Entrevista

Todas as perguntas foram formuladas por Luana Pantaleoni e respondidas por escrito pelo grupo.

junho/2020

Vocês estão em processo no momento? Se sim, como?

 

Estávamos trabalhando na ideia de um novo espetáculo, mas com a chegada do Covid os planos se alteraram. Não só pela necessidade de isolamento e de sobrevivência do espaço do grupo, como também com a chegada de novas urgências do que falar enquanto artistas. No momento o grupo está produzindo alguns vídeos com  marionetes, cada manipulador em sua casa. Em breve também iniciaremos a adaptação do espetáculo Brasil.

Como começa um processo criativo? Quais são os disparadores iniciais de um processo criativo?

 

De uma forma geral parte de uma ideia, uma imagem, um desenho, um tema ou uma obra literária trazida para debate pelo nosso diretor Eduardo Felix.  

Quando o tipo de manipulação é escolhido? E como?

Te aconselho a ler o artigo do nosso diretor Eduardo Felix que está na revista online MAMULENGO. Lá ele descreve bem como a escolha da técnica está atrelada à temática e ao tom que escolhemos dar à obra. https://abtbcentrounimabrasil.files.wordpress.com/2020/05/mamulengo-16_artigo-eduardo-felix.pdf

Como a temática a ser trabalhada é escolhida? Quem faz esta escolha?

Geralmente parte do diretor e vai sendo desenvolvida, transmutada, problematizada no coletivo.

Quais são os meios de sobrevivência do teatro de animação no Brasil?

Editais, participação em festivais e oficinas ministradas pelos grupos. 

Qual é a importância do Teatro de Animação hoje no Brasil?

A linguagem tem crescido no país, muito pelo fomento de universidades e institutos que têm criado disciplinas, periódicos e encontros sobre o tema. A promoção de festivais, na sua maioria organizados pelos grupos de Teatro de Animação, também contribuem para este cenário de crescimento. Com isso tem-se conquistado novos espaços de reflexão e potencial cênico para as Artes Cênicas em geral. 

Como o Teatro de Animação resiste em tempos de isolamento social?

Acho que estamos ainda tentando descobrir isso. No aspecto financeiro estamos sobrevivendo através de uma campanha de financiamento para a manutenção de nossa sede, com diversas recompensas, e escrevendo para diversos editais de emergência que foram lançados.

O Teatro de Animação sofrerá mudanças para continuar vivendo num mundo pós-pandemia? Se sim, quais?

Acho que as mudanças já estão sendo efetuadas. Para começar fomos obrigados a nos adequar às ferramentas audiovisuais para a promoção de trabalhos online. Isso vai reverberar mesmo quando pudermos voltar aos palcos. Dependendo dos rumos da pandemia,  penso que talvez o teatro de rua seja mais explorado já que possibilita uma apresentação aberta, sem ar condicionado e passível de ser realizada em grandes espaços para evitar aglomerações. 

Qual é a sua interpretação de um sonho? Você acha que os sonhos também são uma realidade?

 

Acho que o sonho é uma soma de fatores conscientes e inconscientes, misturando fantasia, realidade, signos, sensações e imagens! Tudo jogado num caldeirão e servido em um cozido enquanto dormimos. (risos)

Seu trabalho é influenciado por sonhos? Ou, você trabalha a partir dos seus sonhos?

Em alguns processos os sonhos do grupo são trazidos como pontos de reflexão e problematização. O nosso espetáculo O Quadro de Todos Juntos parte do livro A História da Loucura, de Foucault, abordando estas associações com arquétipos, complexos e sonhos. Também trazemos para a cena essa sensação difusa entre o sonho e a realidade. 

Quais são suas referências de artistas que trabalham com sonhos?

Surrealistas?  Não sei citar especificamente agora, mas já ouvi vários depoimentos de artistas que tiveram processos ou ideias iniciais a partir de sonhos.  Eu também acordo às vezes com algumas imagens na cabeça e anoto tudo no meu caderninho, que fica na primeira gaveta ao lado da cama. Acredito que são elementos que ficam pairando no  pensamento e na imaginação e são organizados enquanto durmo. 

Como trabalhar com sonhos na arte?

Acredito que os processos artísticos são múltiplos e podem partir de vários locais, referências, percepções, sensações e aí também, quem sabe, sonhos.