René Magritte - O Espelho Falso

Quarentena

Sobre o processo criativo

Já no início, não queríamos lidar com os sonhos de forma alienada ou idealista, nem mesmo transpô-los para o palco na íntegra, mas sim usá-los como disparadores poéticos; nosso desejo sempre foi comunicar algo que fizesse sentido com a realidade em que vivemos, e foi essa a nossa maior descoberta: a realidade em que vivemos no momento é o confinamento. O sonho durante o isolamento diz coisas que o sonho durante a vida normal não diz, porque as condições da vigília são outras. Além disso, durante o sono estamos mostrando como tudo o que está acontecendo nos afeta. Nesse sentido, muitos sonhos acabam sendo sobre as mesmas coisas, muitas pessoas que não se conhecem sonham sobre o mesmo assunto. Então, nosso objeto de estudo mudou: não iríamos mais trabalhar com sonhos de quaisquer períodos de nossas vidas, mas sim com os sonhos da quarentena.

Isso mudou completamente nossa visão sobre o trabalho. Agora estávamos lidando com algo muito mais urgente e muito mais universal, se pensarmos que o mundo inteiro está paralisado por conta da pandemia. Além disso tivemos que enfrentar uma grande questão: não estaríamos mais nos encontrando presencialmente, ou seja, nosso trabalho conjunto de manipulação de bonecos estava fadado a um período de espera.

“A pergunta que começou a me perseguir a partir do momento em que entramos em quarentena era: ‘como fazer teatro de animação em isolamento social?’. Para mim isso não fazia sentido nenhum, pois na minha concepção o teatro acontece mediante um encontro, algo impossível pensando que estamos em quarentena. Então formulei uma resposta, que ainda não está completamente certa na minha cabeça: ‘não se faz teatro, se prepara um novo teatro.’” (Luana)

“Como então manter o processo vivo? Tive muito medo de, por estarmos separades, a vontade de criar se perdesse e o grupo ruísse. Ao mesmo tempo, vejo que a decisão que tomamos de continuar o processo mesmo em quarentena foi muito otimista; não é fácil manter o desejo de criação vivo em meio à crise de saúde em que o mundo se afunda.” (Carol)

Mesmo com todas as dificuldades apresentadas, o processo criativo segue em isolamento sem uma perspectiva de voltar à normalidade.

Excerto retirado do trabalho de conclusão de curso de Carolina Borges e Luana Pantaleoni

Workshops

2 exemplos de workshops criados durante a quarentena

Responda à nossa pesquisa aqui

Responda à nossa pesquisa aqui

Dúvidas? Sugestões?

Obrigada por entrar em contato!